29.7.10

Veja dez perguntas típicas de um selecionador e saiba como respondê-las.

A entrevista de emprego pode ser o maior adversário do candidato na hora de buscar uma recolocação. Neste momento, o nervosismo e o receio de não saber o que responder em determinados questionamentos podem confundí-lo e acabar com suas chances no novo emprego.

Segundo Camila Martins, consultora de recursos humanos da Luandre, no momento da entrevista o candidato deve manter a calma e ter confiança, pois “o seu currículo já foi selecionado entre tantos outros e agora é o momento de mostrar ao entrevistador toda sua competência, tanto pessoal quanto profissional”. Para a consultora, é importante que o candidato saiba que não há uma receita de bolo para uma entrevista de emprego e nem um script para as respostas certas, mas o candidato pode se preparar para responder algumas questões que geralmente são feitas pelos profissionais de RH.

Confira as perguntas:

1 - Me fale um pouco de você (estado civil, filhos, com quem mora, etc)
Não há resposta melhor do que a verdade. Seja verdadeiro, pois nossas avós já diziam que a mentira tem perna curta.
2 - O que você faz no seu tempo livre?
Lembre-se que os seus hobbies e ocupações demonstram não só a capacidade de administrar o seu tempo, como também aptidões, preocupações com o seu desenvolvimento pessoal e facilidade no relacionamento interpessoal.
3 - Conte sobre sua evolução profissional. Qual seu foi seu primeiro emprego e qual seu cenário hoje?
É muito importante que você seja muito claro e demonstre toda sua atuação profissional e a forma como o posicionamento desta o torna um candidato de elevado interesse para qualquer empresa. Seja sucinto com as datas e motivos de entrada e saída de cada empresa. Cuidado para não ficar perdido cronologicamente.
4 - Por qual motivo você saiu (ou quer sair) da empresa?
Se você foi demitido, explique de maneira direta e objetiva sem demonstrar nenhum ressentimento ou mágoa com relação aos seus superiores. Caso ainda esteja na empresa, é interessante falar sobre alavancar carreira, desejo de crescimento pessoal e profissional.
5 - O que você não gostava na empresa anterior/atual?
Não se queixe, nem se faça de vítima. Seja positivo em suas colocações mesmo que enfrentasse alguns problemas. Não se esqueça de que nenhuma empresa é perfeita.
6 - Como você lida com as pressões do trabalho?
Inicie sua resposta fornecendo exemplos vivenciados nessa situação. Isso dará consistência à resposta e segurança para o entrevistador enxergar o potencial para ocupar determinada posição.
7 - O que você tem feito atualmente que demonstre sua capacidade de tomar iniciativa?
Comece com uma série de realizações da sua vida profissional. Mostre que você está sempre procurando progredir.
8 - Defina quais são suas maiores qualidades e o que precisa melhorar.
Mencione características geralmente relacionadas com um bom profissional: proatividade, empenho, responsabilidade, entusiasmo, criatividade, persistência, dedicação, iniciativa, e competência. Quanto aos pontos que precisa melhorar, tenha sempre em mente que todos temos “defeitos” e pontuá-los é uma forma de mostrar autocrítica. Não se esqueça de mencionar a vontade ou atitudes para a mudança destes.
9 - Qual seu diferencial e por que você deve ser contratado?
Esta é uma pergunta muito complicada, mas o que se espera é que o profissional saiba "vender" o seu produto. É imprescindível focar nas suas capacidades, valorizar o seu perfil como o mais adequado para aquela função e a forma como poderá trazer benefícios e lucros para a empresa.
10 - Qual é a sua pretensão salarial?
Esta é uma pergunta que normalmente deixa o candidato na defensiva. A sugestão é iniciar a negociação falando de sua última remuneração e dos benefícios oferecidos pela empresa anterior. É interessante questionar o entrevistador sobre a faixa salarial média para a vaga em questão e quais são os benefícios oferecidos pela companhia.
Dicas

Camila Martins ainda lista algumas dicas importantes sobre como se comportar antes e durante a entrevista com o selecionador:

- Cuide de sua aparência e apresentação;
- Leve um currículo impresso e atualizado;
- Seja pontual;
- Evite fumar minutos antes ou iniciar a entrevista mastigando chiclete ou bala;
- Mantenha-se calmo, confie em você e demonstre toda sua capacidade com segurança;
- Fale com clareza e tome cuidado para não contar piadas ou usar gírias;
- Pergunte, demonstre interesse na proposta;
- Não fale mal da empresa anterior, bem como de colegas e chefias.


Danilo Schramm

Em São Paulo

15.7.10

Mercado de Trabalho

Especialista em recrutamento, David Perry coleciona histórias como a do copo de café vazio que rendeu um emprego a um administrador de sistemas.

Coautor do livro "Guerrilla Marketing for Job Hunters 2.0" e especialista em recrutamento, o canadense David Perry defende a ideia que o uso de estratégias pouco ortodoxas na busca por uma vaga pode resultar na obtenção de um novo emprego e, acredite, em um terço do tempo.

Nesta entrevista à ComputerWorld/EUA, Perry - que escreveu o livro em parceria com Jay Conrad Levinson - fornece detalhes sobre essas estratégias e explica como os profissionais de TI podem tirar proveito de suas lições.

ComputerWorld/EUA - O que os candidatos às vagas podem fazer para encurtar a busca por um emprego?

David Perry - Parar de procurar por vagas e passar a procurar por empregadores e por pessoas influentes. Prepare uma relação com as 20 empresas em que gostaria de trabalhar. Se estas não estiverem contratando, a saída será estar em evidência nessas empresas.

Todos os dias essas organizações dispensam funcionários e a procura por mão-de-obra qualificada, na verdade, nunca cessa. Faça o máximo de contatos, frequente os círculos e, assim que a oportunidade aparecer, seja um dos primeiros a saber.

Use sites como o LinkedIn - estar lá é importante, mesmo que não traga resultados imediatos. O LinkedIn é utilizado para consultas sobre quem você é e o que faz. É muito provável que o recrutador procure pelo nome dos candidatos no Google e o LInkedIn apresenta resultados em posições altas nos resultados de busca da web.

CW - Poderia dar exemplos de marketing de guerrilha na busca por empregos?

Perry - Quem entende do assunto sabe que, em média, 20% das vagas existentes são anunciadas na web. Então uma saída é ficar esperto e procurar um meio de ficar visível para as 80% restantes. Fato é que a vasta maioria fica presa às oportunidades anunciadas na Internet.

O lance é criatividade, sabe? Foco e persistência também. Em todo caso, ações mais, digamos, ousadas podem ajudar. Tente ligar para quem decide, mas não engasgue ao ouvir a voz do diretor e lembre que ele tem segundos antes de desligar na sua cara. Faça um CV bacana, com testemunhos de outras pessoas, algo rico e informativo. Tem até caso de gente entregando CVs em embalagens bem criativas como dentro de copos de café descartáveis.

CW - Em copos de café? Como assim? Isso já funcionou para alguém?

Perry - Eu chamo isso de um CV com personalidade. Os ingredientes são bastante básicos: um CV repleto de cores, com logotipos de antigos empregadores, uma embalagem de café para viagem da Starbucks e uma breve carta de apresentação convidando o recrutador para um café e uma conversa sobre como o candidato pode ajudar a empresa.

O negócio é mandar essa caixa por FedEx, DHL ou outro serviço similar. Sobre o sucesso dessa tática, sugiro que pergunte a Mark Thomas. Ele teve de parar a operação de envio dos CVs em copos de café, pois estava com a agenda lotada depois de enviar dez pacotes desse tipo. Thomas começou em um emprego novo em 8 de março, na função de administrador de sistemas em Mesa, no Arizona.

CW - E você acredita que essas táticas servem para profissionais da área de TI?

Perry - Por que não funcionaria? Acho que os profissionais de TI são as pessoas mais habilitadas a fazer esse tipo de ação. Eles têm uma noção nata de como funcionam as redes e as ferramentas colaborativas nas empresas.

Perspectivas
Ainda não temos as previsões de contratação para o mercado de trabalho aqui do Brasil. Mas os números do mercado americano para o segundo semestre são os seguintes:

20% pretendem aumentar substancialmente o contingente de profissionais de TI no segundo semestre;

51% pretendem contratar, mas não muito;

29% responderam não ter intenção alguma de contratar novos profissionais de TI.

Por “aumentar substancialmente” entende-se um incremento de até 50% no número de profissionais desse segmento.

À pergunta "Que nível profissional deve ter o profissional que você pretende contratar?", as respostas foram:

16% Iniciantes

De dois a cinco anos de experiência: 52%

De cinco a dez anos de experiência: 60%

Mais de dez anos de experiência: 29%

Não souberam: 8%

Obs. Para cada pergunta era aceita mais de uma resposta.

(Jamie Eckle)

5.7.10

Diferenciais em Currículos para TI

Veja quatro questões que precisam ser privilegiadas no documento de apresentação.

Empresas de recrutamento e outros especialistas em carreira costumam ter na ponta da língua uma lista de conselhos de como preparar um bom currículo, especialmente para diferenciar-se da concorrência. A intenção é válida, mas o problema nesses casos está no fato de que nem sempre os conselhos se aplicam aos profissionais de TI e à natureza do trabalho do setor, analisa a gerente da Sapphire Technologies – empresa de recrutamento na área de tecnologia da informação –, Shana Westerman.

A especialista avalia que os currículos de TI se diferenciam de outros segmentos porque os profissionais precisam comunicar uma série de conhecimentos, técnicos e operacionais. “Como a tecnologia muda muito rapidamente e o trabalho em TI é bastante baseado em projetos, apresentações genéricas podem acabar sendo um ‘desserviço’ para o profissional”, alerta Shana.

Ela conta que hoje recebe, em média, 300 currículos por dia de pessoas interessadas em trabalhar com tecnologia da informação. A gerente da Sapphire faz uma triagem desse material para enviar aos seus clientes, que são gerentes de TI e executivos de grandes e médias empresas interessados em contratar profissionais.

Shana analisa que muitos dos currículos de TI que recebe são curtos demais para que ela analise se as competências dos profissionais se encaixam nas necessidades das vagas que precisam ser preenchidas. “As pessoas não serão convidadas para um encontro com um possível empregador se não demonstrarem que estão aptas para isso. O currículo é a única ferramenta que leva as pessoas para a entrevista de emprego”, alerta.

A seguir, a especialista elenca os quatro grandes equívocos que os profissionais precisam evitar na hora de preparar um bom currículo em TI:

1. Tamanho certo
Na visão de Sarah os currículos de TI são muito influenciados pela natureza complexa das tarefas do que por um diferencial competitivo no mercado. Ela acredita que a recente crise e a necessidade dos profissionais incorporarem múltiplas tarefas tem modificado a natureza do que as empresas buscam em um candidato.

Os potenciais empregadores não estão interessados em documentos de apresentação muito curtos, como costumam aconselhar as consultorias em gestão. “Eles querem detalhes. O que significa ter um currículo com três ou mais páginas”, pontua a especialista. As informações precisam contemplar com quais tecnologias o profissional já atuou, o tamanho e o escopo dos projetos com os quais já lidaram e quais as principais habilidades.

“Eles [os contratantes] querem ver, de forma clara, se as pessoas têm os conhecimentos necessários, a partir de coisas que esses profissionais já fizeram no passado”, elenca a especialista.

Outra razão pela qual um currículo de uma ou duas páginas nem sempre funciona para profissionais de TI é porque as funções são bastante complexas e as pessoas costumam atuar em múltiplas tarefas.

“Se a pessoa tem cinco ou mais anos em TI, em especial no caso de técnicos, é perfeitamente normal que o documento tenha três, quatro ou até cinco páginas”, informa.

2. Reforce competências
Especialistas em recolocação profissional costumam indicar que quem busca um emprego deve evitar informações repetidas no currículo, como forma de ganhar espaço. Isso é uma má ideia, alerta Shana. Segundo ela, os interessados em contratar alguém costumam verificar se a pessoa teve uma experiência profunda com tecnologias ou temas específicos.

“Se alguém busca um profissional com conhecimento em gestão do orçamento e só vê esse tema tratado em uma ou duas partes do currículo, pode considerar que falta capacitação nessa área", considera a especialista.

3. Uso de cargos
As consultorias que ajudam na recolocação de profissionais recomendam que quem busca um emprego utilize cargos exatos no currículo. A executiva discorda desse conselho. Para ela, na área de TI, muitas vezes o nome do cargo não corresponde às atribuições, por isso, é importante detalhá-las.

Como exemplo, ela diz que algumas instituições bancária dão o cargo de vice-presidente (VP) para profissionais que cuidam da gestão de projetos ou de políticas, em vez de restringir o título apenas a posições executivas. "Se você tem a experiência como VP em seu currículo, mas está se candidatando a uma vaga de gestor de projeto, o possível contratante pode colocá-lo automaticamente fora do processo, achando que você é muito sênior para a posição”, exemplifica Shana.

O truque para explicar um cargo é ser claro. Ou seja, o profissional deve descrever exatamente suas funções anteriores, até para que isso seja confirmado por pessoas que sejam procuradas para dar referências.

4. Diagramação adequada
Alguns especialistas em contratação recomendam que as pessoas incluam cores e elementos gráficos – como um logotipo ou uma foto – no currículo. O objetivo é fazer com que o documento se destaque entre os demais.

A gerente da Sapphire ressalta que nem sempre um currículo ‘enfeitado’ vai atrair um possível empregador, pelo contrário. “As pessoas só querem um documento que seja fácil de ler”, adverte.